Preparação e planejamento para Via Francigena

27 de julho de 2019 Antonio JR

A Preparação

Eu sabia que a Via Francigena seria diferente desde as dificuldades com as distâncias e a altimetria, com o peso da mochila e com a força extra que deveria fazer surgir nas pernas! Para uma jornada mais intensa, foi necessária uma preparação mais adequada, a fim de superar este desafio!

Novamente, o itinerário com o número de dias reduzido foi o meu ponto de partida. Por esse motivo, foi preciso seguir com treinos, que, além de envolverem caminhadas em terrenos semelhantes, deveriam fortalecer os músculos. Afinal, reduzir uma jornada que normalmente se faz em 45 dias para 35 requer cuidados, preparo e foco.

A boa preparação física foi primordial: fortalecimento das pernas e das costas, treinos com carga em subidas íngremes e treinos de corridas rápidas para ganhar condicionamento físico e melhorar o ritmo cardíaco. Foi nessa rotina que passei meses antes da minha jornada.

Como moro numa região de serras, isso facilita a mobilidade para os meus treinamentos. Tenho, “aos meus pés”, uma diversidade de pisos, exigentes subidas e descidas e até uma variação nas características da vegetação.

Aprendi com as bolhas do passado! Ter um calçado de qualidade e prepará-lo para a jornada fez toda a diferença, a fim de que eu não passasse pelas mesmas dificuldades do caminho anterior. Meus pés agradeceram.

Introduzi nesta etapa um aditivo, que foi fundamental: treinei sozinho. Minha preparação foi além do que o corpo pedia e fui atrás de novas formas de aquietar a mente. Foi uma prévia do que eu sabia que ia encontrar por lá.

Caminhar sozinho pelas trilhas da Serra de São José é um convite à introspecção. A variação de vegetação, o mirante e a beleza do alto da serra me fazem sentir a natureza de perto e querer me conectar a ela. É o treinamento indo além do âmbito físico.

O Planejamento

Geralmente os Aplicativos de peregrinação indicam a quantidade de etapas que os caminhantes deveriam executar. Tanto no aplicativo Sloway quanto o da Via Francigena, indicavam que o itinerário deveria ser feito em 45 dias, tempo que eu não tinha disponível. 

Assim como no Caminho de Santiago, acabei me vendo na situação de encurtar esse tempo e tracei meu planejamento: meta de chegar em Roma em 35 dias.

Foi uma meta audaciosa devido às características da altimetria do terreno e confesso que em alguns momentos passei do meu limite. O corpo pedia pra parar, mas como encaro a peregrinação como forma de testar meus limites (e cada peregrino tem uma forma de enxergar), sempre segui em frente.

Para traças o seu planejamento, você pode seguir as orientações dos aplicativos (só clicar sobre os nomes deles, acima) ou traçar o seu próprio, de acordo com sua disponibilidade de tempo, interesse e claro, preparo físico.

Segue abaixo meu itinerário.

Saída Belo Horizonte – Milão

Chegada em Milão

Milão a Aosta – Transporte feito de Trem – 3 horas
E 01 – SAINT RHEMY  A AOSTA – VALLE D’AOSTA
E 02 – AOSTA A CHÀTILLON – VALLE D’AOSTA
E 03 – CHÂNTILLON  A PONT SAINT MARTIN – VALLE D’AOSTA
E 04 – PONT SAINT MARTIN A IVREA – VALLE D’AOSTA / PIEMONTE
E 05 – IVREA A SANTHIÀ – PIEMONTE
E 06 – SANTHIÀ A VERCELLI – PIEMONTE
E 07 – VERCELLI A MORTARA – PIEMONTE / LOMBARDIA
E 08 – MORTARA A GALASCO – LOMBARDIA
E 09 – GALASCO A PAVIA – LOMBARDIA
E 10 – PAVIA A SANTA CRISTINA – LOMBARDIA / EMILIA ROMAGNA
E 11 – SANTA CRISTINA A PIACENZA – EMILIA ROMAGNA
E 12 – PIACENZA A FIORENZUOLA – EMILIA ROMAGNA
E 13 – FIORENZUOLA A FIDENZA – EMILIA ROMAGNA
E 14 – FIDENZA A FORNOVO – EMILIA ROMAGNA
E 15 – FORNOVO A PASSO DELLA CISA – EMILIA ROMAGNA / TOSCANA
E 16 – PASSO DE LA CIZA A PONTREMOLI – TOSCANA
E 17 – PONTREMOLI A AULLA – TOSCANA
E 18 – AULLA A SARZANA – TOSCANA
E 19 – SARZANA A CANEVARA – TOSCANA
E 20 – MASSA A CAMAIORE – TOSCANA
E 21 – CAMAIORE A ALTO PASCIO – TOSCANA
E 22 – ALTO PASCIO A SAN MINIATO – TOSCANA
E 23 – SAN MINIATO A SAN GIMIGNANO – TOSCANA
E 24 – SAN GIMIGNANO A MONTERIGGIONI  – TOSCANA
E 25 – MOTERIGGIONI A SIENA – TOSCANA
E 26 – SIENA A PONTE D´ARBIA – TOSCANA
E 27 – PONTE D´ARBIA A SAN QUIRICO – TOSCANA
E 28 – SAN QUIRICO A RADICOFANI – TOSCANA
E 28 – RADICOFANI A ACQUAPENDENTE – TOSCANA / LAZIO
E 29 – ACQUAPENDENTE A BOLSENA – LAZIO
E 30 – BOLSENA A VITERBO -LAZIO
E 31 – VITERBO A SUTRI – LAZIO
E 32 – SUTRI A CAMPAGNANO DE ROMA – LAZIO
E 33 – CAMPAGNANO DE ROMA A LA STORTA – LAZIO
E 34 – LA STORTA A ROMA – LAZIO

Dica: A Via Francigena, diferentemente do Caminho de Santiago, tem menos opções de hospedagem voltadas ao peregrinos (albergues/hospedagens religiosas/casa de apoio). Portanto, o ideal é que além de prever seu itinerário tendo como base somente os aspectos da caminhada, tenha também uma referência no apoio logístico ao peregrino. Clique aqui para baixar uma lista de locais de acomodação com as respectivas cidades. Não deixe de contactar e principalmente deixar reservado. 

Eu passei por um problema na minha décima oitava etapa. Estava previsto para eu dormir em Sarzana e eram muitos quilômetros de caminhada nesse dia. Quando cheguei em Sarzana, caminhei diretamente para o local onde eu tinha previsto passar a noite. Cheguei e estava passando por uma reforma. No local, eles não possuíam informações sobre outro local de apoio ao peregrino mas querendo me ajudar a encontrar a solução do meu problema, me indicaram outro local que talvez resolvesse meu problema. Tentaram ligar e não atendiam e como não era tão longe de onde estava, resolvi seguir caminhando até lá. Quando cheguei, vi que também não não estavam recebendo peregrinos. 

Para não perder mais tempo, segui adiante na minha caminhada para a cidade de XXX mesmo cansado e desapontado com aquela situação. Caminhar “desgostoso” traz um desconforto ainda maior.  No entanto, fiz algo que já estava começando a virar uma constante na minha peregrinação – “virar a chave” e seguir confiante até o meu local de descanso. 

Cheguei cansado e acabou dando tudo certo. 

clients

Caminharam comigo!

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Antonio JR

Sou um amante da natureza e de esportes outdoor. Corredor de montanha, sou um aficionado por trilhas e terrenos acidentados. Tenho um carinho por tudo que envolve arte e a música é outra atividade que me libera endorfina. Um apaixonado pelo mundo, acredito no poder transformador de cada viagem e com elas adquiro vivência e experiência para minha vida.

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